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CBIo deverá valer 10 dólares na Bolsa de Valores

Projeção foi realizada pelo Ministério de Minas e Energia e divulgada na última quinta-feira (02) durante webinar realizado pela Datagro

 

Em vigor desde o final de dezembro de 2019, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) estabelece metas nacionais anuais de descarbonização para o setor de combustíveis, de forma a incentivar o aumento da produção e da participação de biocombustíveis na matriz energética de transportes do país. O assunto foi amplamente debatido na última quinta-feira (02) durante webinar realizado pela Datagro Consultoria.

 

 

Na ocasião, o ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Aurélio Amaral, relatou que, até o momento, existem 90 empresas certificadas no programa, que juntas estarão aptas a comercializar cerca de 735 mil CBIOS (Créditos de Descarbonização) quando o processo de escrituração plena for iniciado pelos agentes financeiros.

 

 

Outras 240 companhias já se encontram em processo de certificação, sendo 211 produtoras de etanol de primeira geração, 24 empresas ligadas ao setor de biodiesel, uma do segmento de biometano, uma planta de etanol de milho e três usinas flex. “Esses números demonstram o empenho e foco do setor sucroenergético para com o RenovaBio.”

 

 

Desde que o programa foi anunciado, há muita especulação sobre os valores atribuídos ao CBIOs, que serão negociados na bolsa de valores e terão seu preço definido pelo livre mercado de acordo com a oferta e procura. No entanto, as primeiras modelagens do Ministério de Minas e Energia (MME) apontam para um valor unitário de 10 dólares. Segundo o diretor do departamento de biocombustíveis do MME, Miguel Ivan Lacerda Oliveira, é o menor preço disponível nas médias de todo o mercado de carbono no mundo.

 

 

Como serão negociados em bolsa, pessoas físicas e jurídicas poderão comprar e vender CBIOs a fim de gerar fluência no mercado. Porém, o diretor do MME afirmou durante o webinar que a “melhor venda” será para investidores estrangeiros. Daí a importância de uma tributação baixa para os créditos de descarbonização.

 

 

“É vital que o CBIO não seja tributado ou tributado num valor tão baixo que reduza o custo da transação. Dessa forma, exportaremos um ativo financeiro atrelado a um serviço ambiental. No futuro, quem estiver em Viena, capital da Áustria, poderá tomar um café que foi descarbonizado pelo CBIO do mercado brasileiro de biocombustíveis.”

 

 

Vale ressaltar que cada CBIO equivale a uma tonelada de CO² que deixa de ser lançada na atmosfera. A quantidade de CBios a ser emitida por cada produtor será proporcional ao volume de biocombustível produzido, importado e comercializado. O cálculo final é realizado pela RenovaCalc, a “calculadora” do RenovaBio.

 

 

A aquisição dos créditos será feita, em sua maioria, por distribuidoras de combustíveis. Através do ato, elas poderão compensar a emissão de CO². Após a compra, será necessário dar baixar, junto à ANP, do crédito adquirido para que haja a concretização da descarbonização da matriz.

 

 

Fonte: CanaOnline