// Oricana - Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Orindiuva
A ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar e o clima

Pesquisadores elaboraram mapas demonstrando os períodos favoráveis à ocorrência da doença no país

 

A ferrugem-alaranjada-da-cana, doença causada pelo fungo Puccinia kuehnii, detectada no Brasil em 2009, gera lesões alaranjadas nas folhas que levam a planta a um quadro de estresse hídrico. Apesar de não causar a morte das plantas, em decorrência da ferrugem-alaranjada, ocorrem debilidade e redução da produção, com registros de perdas de 87% da produção na Austrália, no ano de 2000.

 

 

O desenvolvimento da doença se dá melhor em situações de clima úmido e quente e, considerando estas características, um estudo foi realizado a fim de desenvolver mapas de risco de infecção por P. kuehnii no Brasil. As informações de umidade e temperatura foram coletadas durante 3 anos (2008, 2009 e 2010), de 389 estações meteorológicas automáticas em todo o país, avaliando o número de horas diárias de condições favoráveis para a germinação de esporos do fungo em cada região.

 

 

As análises dos dados indicaram dois períodos na região Centro-Sul (em MG, SP, GO, PR e MS) do país, que é responsável pela maior parte da produção de cana, entre outubro e abril ocorreu a maior favorabilidade, enquanto a menor se deu entre maio e setembro. Já na região Nordeste do Brasil, as condições favoráveis foram observadas entre abril e setembro; os locais de menor favorabilidade no litoral Nordestino foram entre Salvador e Maceió. Boas condições foram observadas durante todo o ano no estado do Amazonas e na região norte do Pará e do Amapá

 

 

Os mapas de cada mês ao longo dos três anos foram desenvolvidos utilizando a média de horas por dia com temperaturas entre 17 e 24ºC e umidade superior a 97% em cada local, então verificou-se a média de horas favoráveis à germinação do fungo. A correlação de Pearson, confirmou a ligação entre a infecção e os fatores climáticos avaliados.


 

O fungo P. kuehnii tem o vento como principal agente de dispersão a curtas, médias e até longas distâncias, pessoas que transitem por áreas afetadas também podem contribuir para a disseminação. Utilizar cultivares resistentes tem dado bons resultados para o controle da doença e o estudo do clima e a elaboração dos mapas podem ser ferramentas relevantes para o monitoramento da ocorrência da patogenia. Os resultados podem contribuir para a predição de áreas mais afetadas, para avaliar o momento de aplicação de defensivos, aumentando a eficácia das medidas de manejo.

 

 

Fonte: DefesaVegetal.Net